Empresas despertam para a inovação

janeiro 24th, 2012 by melissa

No horizonte de dez anos, mais de 70% das grandes empresas brasileiras pretendem ser líderes em tecnologia, apesar das condições econômicas adversas que afetam o seu desempenho. Na situação atual, cerca de 40% entendem que já são líderes, mas ainda prevalecem posicionamentos mais tímidos, como o de seguidor rápido de tecnologias de ponta ou de adaptador de tecnologias ao mercado brasileiro.

As informações são de uma pesquisa inédita do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que entrevistou os principais dirigentes de 40 grupos privados, dos quais 30 de empresas de maioria de capital nacional e dez grandes empresas transnacionais que atuam no mercado brasileiro. Esses grupos respondem por 80% do esforço nacional em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Hoje, o número de empresas que fazem Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) no Brasil não passa de 2,5 mil, enquanto 30 mil são inovadoras. É pouco num universo de quase 100 mil empresas industriais existentes no País. “Mas o mundo inteiro é assim”, diz o coordenador da pesquisa, o reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Carlos Américo Pacheco.

Para 58% dos entrevistados, a inovação tecnológica é decisiva para sua estratégia de mercado atual, enquanto 42% consideram a tecnologia relevante. No horizonte de dez anos, o entendimento se altera de forma ainda mais explícita: 80% das empresas afirmam que a tecnologia terá papel decisivo e 20% consideram que será relevante.

“As empresas estão percebendo que se quiserem entrar no mundo vão ter de investir em inovação”, diz o presidente do Iedi, Pedro Passos, sócio fundador da Natura Cosméticos. “Entender a inovação como vetor do crescimento passou a ser fonte de sobrevivência das empresas de manufatura”, frisa.

Nesse cenário, os resultados da pesquisa indicam que o diagnóstico, repetido em muitos fóruns de debates, de que falta cultura de inovação nas empresas brasileiras “não passa de bobagem”, diz Pacheco.

“As empresas brasileiras respondem aos desafios que o mercado e o ambiente econômico lhes impõem”, diz o presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, um dos entrevistados na pesquisa. Para ele, se a inovação não for entendida nesse contexto, a discussão se as empresas inovam ou não inovam se restringem apenas a um problema comportamental, em geral “associado a um julgamento moral” do papel esperado das lideranças empresariais. “O essencial é entender que as empresas inovam por razões econômicas”.

Na verdade, são condições como preços e custos relativos do Brasil, perspectivas de demanda e o grau de capacitação da própria empresa e de seus fornecedores, que ditam as estratégias empresariais e o que as empresas fazem em termos de inovação, ressalta o coordenador da pesquisa do Iedi.

Na visão dos executivos consultados, as razões mais frequentes para inovar são ampliar receitas e atender as necessidades dos consumidores, apontadas por três entre cada quatro empresas. Duas em cada três também assinalam as motivações de atender as necessidades dos consumidores e reduzir custo.

Entre as razões citadas com menos frequência se encontram a internacionalização das empresas e criação de oportunidades de exportação. Para o Iedi, isso reflete a baixa inserção internacional do Brasil em segmentos mais dinâmicos e também a valorização do real frente ao dólar.

Novas escolhas. Na avaliação do presidente da Suzano Papel e Celulose , Daniel Feffer, o investimento em inovação terá maior impulso e será economicamente viável se atrelado a uma política industrial.

“O Governo está empenhado na agenda de inovação, mas não terá recursos para tudo”, diz o presidente da Fiat, Cledorvino Bellini. Ele lembra que os centros de excelência que o Brasil tem, como a Embrapa e o ITA, foram escolhas estratégicas que deram resultados, mas o País vai ter de fazer novas escolhas.

Fonte: Portal Protec

RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE O BRASIL E A ARGENTINA

janeiro 23rd, 2012 by melissa

O novo regime de importação argentino, que entra em vigor no próximo dia 1º de fevereiro, provocou um curto-circuito nas relações comerciais entre o Brasil e a Argentina – os dois maiores sócios do Mercosul, bloco econômico integrado também pelo Paraguai e Uruguai.
Nesta última quinta-feira (19), a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, disse que o Brasil está sendo favorecido pelo comércio bilateral e que a realidade “não justifica os comentários” do ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
A ministra se referia à entrevista dada pelo colega brasileiro, quarta-feira (18), nos Estados Unidos, e publicada hoje com destaque pela imprensa argentina, na qual admite que “a Argentina tem sido um problema permanente”, no que diz respeito às relações econômicas.
Debora Giorgi reagiu lembrando que, em 2011, o Brasil registrou um superávit em sua balança comercial de US$ 30 bilhões e que a Argentina foi responsável por 19,5 por cento deste saldo favorável. No ano passado, acrescentou a ministra, as importações argentinas de produtos brasileiros aumentaram 23% em relação a 2010. Dos US$ 22,7 bilhões exportados pelo Brasil para a Argentina, 95% foram de produtos manufaturados.
As declarações dos dois ministros ocorrem após o anúncio do governo argentino sobre medidas relacionadas ao comércio entre os dois países. Na semana passada, os importadores locais foram informados de que, a partir de fevereiro, terão que apresentar uma declaração juramentada antecipada na Receita Federal argentina. E que os pedidos de importação serão examinados e autorizados pelo secretário do Comercio Interior, Guillermo Moreno, em um prazo de 15 dias.
Esta semana, o ministro do Planejamento, Julio De Vido, mandou investigar a Petrobras e e mais quatro companhias petrolíferas, acusadas por empresas de transporte publico e de cargas, de formação de cartel para aplicar sobrepreços ao óleo diesel.
A presidenta Cristina Kirchner, após ser reeleita com 54% dos votos, em outubro passado, tem adotado uma serie de medidas com um único objetivo: evitar que a Argentina tenha um problema de caixa. Desde 2003, quando os Kirchner chegaram ao poder, a economia do país tem crescido em media 7%, permitindo se recuperar da crise de 2001 – a mais séria de sua recente história. Até agora, no entanto, a Argentina não foi afetada pela crise nos Estados Unidos e na Europa. Mas 2012 promete ser um ano difícil.
O crescimento econômico argentino não depende tanto dos Estados Unidos e da Europa, mas depende do Brasil e da China. E o crescimento desses dois países foi afetado pela crise mundial. É natural que a desaceleração das economias brasileira e chilena afetem a Argentina”, disse a Agência Brasil, o economista Fausto Spotorno.
Sem acesso a crédito externo, desde que declarou a moratória da dívida externa em 2001, a Argentina depende das exportações para fazer caixa. Por isso o governo quer manter o saldo na balança comercial de US$ 10,5 bilhões, registrado em 2011. Mas analistas da área econômica acham difícil cumprir esta meta.
A atividade econômica crescerá menos este ano, cerca de 3,5%. E as exportações devem crescer pouco. Já os gastos com a importação de energia deverão aumentar muito”, declarou à Agencia Brasil o economista Marcelo Elisondo, diretor da consultora DNI. Só com a compra de gás e energia elétrica, segundo ele, o país deve gastar este ano US$ 7 bilhões. “O governo precisa limitar as importações para ter dinheiro para importar energia”, disse.
Hoje, o governo argentino se reuniu com os importadores para explicar como funcionará o novo sistema. “Entendemos que o governo tenha anunciado o novo regime de importação com tanta pressa e sem muito tato. Teme que a seca afete a produção agrícola”, disse à Agencia Brasil, Miguel Ponce, gerente de Relações Institucionais da Câmara de Importadores Argentinos (Cira).
Se o sistema inaugurado for transparente e rápido, poderá representar uma melhora. Agora sabemos que a política de importação está nas mãos de Guillermo Moreno, e esperamos que este sistema seja mais eficiente que as licenças não automáticas (LNA). Pelas as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), produtos importados por este regime devem entrar no país em no máximo 60 dias. Mas o governo argentino mais de uma vez atrasou a liberação das importações”, lembrou.
Segundo o especialista em comércio exterior, Mauricio Claveri, por serem os dois principais sócios do Mercosul, o Brasil e a Argentina têm capacidade de negociar soluções políticas para seus problemas comerciais. “Em 2011 a Argentina estava em um ano eleitoral. Mas agora que Cristina foi reeleita para quatro anos e assegurou a maioria no Congresso, não acho que o governo brasileiro continuará sendo tão tolerante como antes”, declarou Claveri.

Brasil se ressente de anos de atraso na formação da elite do conhecimento

janeiro 19th, 2012 by melissa

Aos 23 anos, a mineira Luísa Peconick sonha alto. Nem bem terminou o curso de biologia da Universidade de Brasília (UnB), começou um mestrado na instituição. Apesar de dedicar quase todo o tempo de estudo à virulência de um gene específico de um fungo, já prepara caminho para fazer um doutorado no exterior. “Na área de biologia, não há muitas oportunidades para estudantes que só têm o diploma de graduação”, explica. “Por isso, estudamos tanto. A dedicação é absoluta. Às vezes, as pesquisas adentram os fins de semana e feriados”, diz. Tanto comprometimento lhe rendeu uma bolsa, de R$ 1,2 mil mensais, bancada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O carioca Marcus Cardoso, 36 anos, tem a clara noção do esforço despendido na última década para alcançar o mais elevado grau de educação. Convencido de que o seu lugar era na universidade, ingressou, em 2003, em um mestrado na área de antropologia. Terminada essa etapa, partiu para o doutorado, concluído no ano retrasado. Agora, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), está mergulhado nos livros para disputar uma vaga de pós-doutorado fora do País. Os anos pesados de estudo não lhe tiram o bom humor, sobretudo porque, na sua avaliação, finalmente o Brasil está acordando para a necessidade de formar o que há de melhor em todas as profissões.

Os casos de Luísa e de Marcus deveriam ser rotineiros em um país que alcançou o posto de sexta maior economia do planeta. Mas, infelizmente, configuram quase exceções. Em número de doutores, o País continua atrás de muitas economias menores, com uma média de 1,4 graduado para cada mil habitantes. Ganha apenas da vizinha Argentina, com uma relação de 0,2, conforme levantamento da Capes para o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) até 2020. A maior referência é a Suíça, com 23 doutores para cada mil habitantes. Em segundo lugar está a Alemanha, com 15,4, seguida pelos Estados Unidos, com 8,4.

“No ritmo atual, só conseguiremos alcançar níveis como os da Austrália e do Canadá, de 5,9 e 6,5 doutores para cada mil habitantes, respectivamente, em 2025. E, com muita sorte, até 2050, nos equipararemos à Suíça de hoje”, diz o presidente da Capes, Jorge Guimarães.

Não será tarefa fácil. Com um total de 12 mil doutores e 40 mil mestres titulados no ano passado, várias universidades já enfrentam dificuldades para completar seus quadros. “A rede privada está desesperada para cumprir as exigências do Ministério da Educação de se ter, no mínimo, um terço do quadro de professores com mestrado e doutorado”, afirma Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semesp). “E não está sendo diferente nas universidades públicas”, acrescenta.

Desafios

Não bastasse a escassez de doutores nas universidades, também a indústria se ressente da falta de profissionais para tocar programas de pesquisa e inovação, como é comum nas economias desenvolvidas e na maior parte das nações emergentes. “No Brasil, cerca de 70% dos doutores estão na educação e 11% na administração pública. Mudar esse quadro é um dos maiores desafios para o desenvolvimento da economia do País”, ressalta Glaucius Oliva, presidente do CNPq. A virada tão necessária, porém, terá de começar na base da pirâmide, pois, mesmo com os avanços no combate à evasão escolar e com os investimentos em novas universidades públicas e em programas de bolsas para estudos no exterior, o Brasil ostenta 60% de analfabetos funcionais, pessoas que sabem ler, mas têm dificuldades para interpretar um texto.

“Esse é um dos motivos para tanta evasão nas universidades e para o deficit de profissionais que a economia tanto necessita” destaca Guimarães, da Capes. Nos cursos de engenharia, por exemplo, 65% dos alunos matriculados desistem no meio do caminho por não conseguirem acompanhar as aulas. Trata-se de um quadro inaceitável que empurra o Brasil para o 47º lugar na lista dos países mais inovadores do mundo, mesmo sendo o 13º maior produtor de trabalhos científicos.

A hora da virada, acredita Glaucius Oliva, é agora. O Governo não pode fracassar no projeto lançado em agosto do ano passado, o Ciência Sem Fronteiras, que tem como meta enviar 100 mil estudantes a universidades estrangeiras até 2014. A frustração custará anos de atraso para o País, conforme o último capítulo desta série. Dados do Institute of International Education (IIE) mostram que, em 2011, o Brasil enviou apenas 8,7 mil estudantes de pós-graduação para os EUA, contra 157,5 mil da China e 103,8 mil da Índia.

Fonte: Correio Braziliense (Rosana Hessel - adaptado por Melissa Miziara - Polo de Excelência em Genética Bovina)

Paulo Piau será o relator do novo Código Florestal na Câmara

dezembro 15th, 2011 by melissa

O deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que é engenheiro agrônomo da cidade de Uberaba/MG e pesquisador da EPAMIG, foi escolhido na última terça-feira (13/12) como o relator do texto de reforma do Código Florestal na Câmara dos Deputados. O projeto foi aprovado pelo Senado na semana passada e volta à Casa para ser aprovado. Piau acredita que “as mudanças propostas pela Câmara devem ser mínimas”, mas criticou o fato de o relatório do senador Jorge Viana restringir as atividades agropecuárias em áreas com declividade entre 25º e 45°, pois isso prejudica grande parte da pecuária leiteira de Minas Gerais.

A bancada ruralista está dividida em relação ao assunto. Alguns deputados querem retomar o texto original do relatório do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), mas o novo relator acredita que até a votação, prevista para acontecer entre os dias 6 e 7 de março de 2012, será possível chegar a um consenso.

Piau afirmou que irá trabalhar durante o recesso parlamentar para fundamentar as mudanças que deve sugerir, mas de antemão sabe que não será fácil, pois pelo regimento não pode mexer na redação aprovada pelo Senado, apenas acatar ou rejeitar partes do texto, que podem ser substituídas por outras aprovadas pelos deputados durante a discussão na Câmara.

O deputado disse que irá pedir esta semana aos governos estaduais que realizem avaliações sobre o impacto das restrições à exploração agropecuária nas áreas de Preservação Permanente (APPs), tanto nas encostas como nas beiras dos rios. Piau é o autor da polêmica emenda 164, que estende aos estados o poder de decidir sobre as atividades agropecuárias em APPs.

Fonte: Agência Estado

NOTÍCIAS MISSÃO: Polo de Genética Bovina abre portas internacionais para o agronegócio mineiro

dezembro 8th, 2011 by melissa

O Polo de Excelência em Genética Bovina da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) esteve em missão internacional na Austrália e Nova Zelândia com o intuito de reconhecer o ambiente tecnológico e de negócios da cadeia produtiva do leite e da carne.

A comitiva - composta também por integrantes do setor empresarial - visitou instituições de ensino e pesquisa, fazendas, associações de criadores e centrais de inseminação artificial. Segundo a gerente do Polo, Beatriz Cordenonsi Lopes, o grupo retornou com excelentes perspectivas de parcerias para o Estado de Minas Gerais. “Há interesse na condução de pesquisas em conjunto, intercâmbio de pesquisadores e as universidades australianas estão abertas a receber alunos de pós-graduação mineiros”, afirmou.

Nesta semana o comitê gestor do Polo de Genética se reúne em Uberaba, na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), para avaliar quais oportunidades são as mais interessantes para o desenvolvimento do estado. Segundo Beatriz Lopes, o Governo de Minas pode ampliar os laços com a Universidade de Queensland (Austrália), que já é parceira em estudos de recuperação de águas contaminadas em regiões degradadas pela mineração.

Segundo o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Narcio Rodrigues, os intercâmbios internacionais como esse do Polo de Genética Bovina são fundamentais para ampliar a cooperação e os negócios que Minas tem liderança.

Com o apoio do Sebrae-MG, o grupo conheceu as instalações do Livestock Improvement Corporation (LIC), grande centro de pesquisa e desenvolvimento de produtos para o setor de lácteos localizado na Nova Zelândia. Já na Austrália, a comitiva visitou o Beef Breeding Services do Governo de Queensland, voltado especialmente para a inseminação artificial.

De acordo com Beatriz Lopes, apesar do grande volume exportado, os mercados trabalhados pela Austrália são os que melhor remuneram, e a competitividade com o Brasil se dá pela qualidade da carne produzida. A Austrália apresenta 23% do mercado mundial de carne - perdendo somente para o Brasil - sendo 70% da produção exportada para mais de 110 países.

A missão internacional é mais uma ação no sentido de promover o avanço tecnológico nas áreas de agropecuária e biotecnologia animal. Este processo começou no ano de 2008, com a instalação do Polo de Excelência em Genética Bovina, em Uberaba, em parceria com a ABCZ. Com o apoio dos parceiros, são organizados encontros sobre inovação e transferência de tecnologias entre pesquisadores, laboratórios e empresários pecuaristas com interesse em melhoramento genético bovino.

Fonte: SECTES

NOTÍCIAS MISSÃO: Polo de Genética Bovina retorna de Missão para Austrália e Nova Zelândia com Excelentes Perspectivas para Minas Gerais

dezembro 8th, 2011 by melissa

Entre os dias 01 e 23 de novembro de 2011, o Polo de Excelência em Genética Bovina esteve na Nova Zelândia e na Austrália em missão internacional com intuito de reconhecer o ambiente tecnológico e de negócios da cadeia produtiva do leite (Nova Zelândia) e da carne (Austrália).

O grupo foi composto pela Dra. Beatriz Cordenonsi Lopes pesquisadora da EPAMIG e gerente do Polo; Dra. Melissa Nunes Miziara (Polo); Dra. Vânia Maldini Penna representante da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); Cláudio Severino Lara representando o setor de biotecnologias de embriões; Tiago Moreira Carrara da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) e Cynthia Rocha representante da Assessoria Estratégica de Parcerias Nacionais e Internacionais da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (SECTES). A missão recebeu o apoio do SEBRAE/MG, parceiro em diversas ações do Polo.

Dra. Beatriz informou que o grupo foi muito bem recebido nos dois países, onde visitaram instituições de ensino/pesquisa, fazendas, associações de criadores e centrais de inseminação artificial. Segundo a gerente do Polo, o grupo retornou com excelentes perspectivas de parcerias para o Estado de Minas Gerais. Há interesse na condução de pesquisas em conjunto com ambos os países e as Universidades Australianas demonstraram grande interesse em receber alunos de pós-graduação mineiros. Os projetos apoiados pelo Polo de Genética também despertaram grande interesse nas instituições visitadas.

De acordo com Beatriz, na Nova Zelândia os solos são extremamente férteis com gramíneas e leguminosas de elevado potencial nutritivo e o clima é ameno, o que favorece os sistemas de produção com animais taurinos, onde predominam as raças Jersey, Holandês e a Kiwicross, cruzamento destas, desenvolvida na Nova Zelândia. A semelhança com o Brasil está apenas na utilização de sistemas de produção de leite a pasto.

Segundo o Livestock Improvement Corporation (LIC), uma das instituições visitadas pelo grupo, a Nova Zelândia apresenta um rebanho de 4,2 milhões de vacas, com uma produção média de 4.000 Kg de leite por lactação e 330 Kg de sólidos, sendo 95% de sua produção exportada, o que faz com que o setor de lácteos represente algo em torno de 25% do PIB do país. As vacas neozelandesas apresentam alta fertilidade, com intervalo entre partos de um ano, idade ao primeiro parto de 24 meses e longevidade média de cinco lactações. Em média 80% das vacas são inseminadas, preferencialmente com sêmen a fresco, sendo rigoroso o descarte de vacas vazias ao final da estação.

Já na Austrália, no Estado de Queensland, em especial na cidade de Rockhampton, Beatriz relatou que o clima assemelha-se muito ao da região norte de Minas Gerais com baixos índices pluviométricos, pastagens de capim buffel (Cenchrus ciliaris) e predomínio do gado zebu, o que possibilita uma aproximação dos sistemas de produção entre Brasil e Austrália.

De acordo com o Cooperative Research Centre for Beef Genetics Technologies (Beef CRC), o agronegócio australiano fatura cerca de 12,1 bilhões de dólares/ano. O país apresenta um rebanho de 27,3 milhões de bovinos, o que representa 2,8% do rebanho mundial e 23% do mercado mundial de carne (perdendo somente para o Brasil), sendo 70% da produção exportada para mais de 110 países. É reconhecido pelas instituições australianas que não há como competir com o Brasil em relação ao volume a ser exportado, já que o rebanho brasileiro é oito vezes maior. No entanto, de acordo com Beatriz, os mercados trabalhados pela Austrália são os que melhor remuneram e que a competitividade australiana se dá pela qualidade da carne produzida (Coréia do Sul, Japão e EUA).

No momento a equipe do Polo trabalha no fechamento do relatório da missão (que será disponibilizado no CIGB) e na preparação da reunião com o Comitê Gestor marcada para o dia oito de dezembro, onde serão apresentadas as expectativas registradas pelo grupo durante a missão.

“Entendemos que com a realização desta missão foram abertas importantes portas internacionais para a cadeia do agronegócio de Minas Gerais”, finalizou Beatriz.

Fonte: Centro de Inteligência em Genética Bovina - Elaborado por Marcela Galvão de Barros França

Redação científica

outubro 17th, 2011 by melissa

Um site que dá acesso a artigos, dicas e reflexões sobre redação de artigos científicos foi lançado pelo zoólogo Gilson Volpato, autor de sete livros sobre o tema e professor do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O endereço www.gilsonvolpato.com.br compreende as seções Ciência, Redação Científica, Publicação Científica, Ética e Moral na Ciência, Sociedade, Administração e Educação. Em cada uma delas há uma lista de livros relacionados ao assunto, artigos, uma série de links para textos externos – com comentários o autor – além de dicas. Também haverá acesso às aulas on-line do curso Bases Teóricas para Redação Científica, apresentado por Volpato na Unesp. “Por enquanto há 19 aulas disponíveis, mas todo o material já foi gravado. Em breve todas as 44 aulas estarão no ar”, disse o professor.

Fonte: Revista FAPESP Online

Os desafios e obstáculos da pós-graduação no Brasil

outubro 13th, 2011 by melissa

No 10º encontro da série Debate FINEP, nesta terça-feira, 11/10, os pró-reitores de Pesquisa e Pós-graduação Hélio Leães Hey, da Universidade Federal de Santa Maria, e Danilo Giroldo, da FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande), apresentaram estudo que mostra a distribuição geográfica da pós-graduação e suas relações com indicadores sócioeconômicos no Brasil. O ponto alto foi o desenvolvimento de um mapa dividido por 137 mesorregiões – agrupamentos de municípios. O mapa é uma evolução da versão criada pela Capes, dividida pelas 27 unidades federativas e, até então, utilizada como referência no Plano Nacional de Pós Graduação (PNPG).

Desta forma, a assimetria constatada na distribuição regional dos cursos de pós-graduação e doutores foi identificada dentro dos próprios estados. Se antes as regiões Sul e Sudeste eram consideradas as mais ativas academicamente, o estudo aponta que nelas e em todos os outros estados há lacunas. Ou seja, existe concentração de cursos e doutores nas áreas metropolitanas brasileiras, e não nas regiões mais desenvolvidas do país.

Logo, investir nas regiões Norte ou Nordeste, por exemplo, sem levar em conta estes vazios pode acabar indo contra o objetivo de reduzir o desnível acadêmico dentro das unidades federativas. “Políticas de alocação de recursos generalizados tendem a aumentar a concentração nos centros de excelência das regiões metropolitanas”, disse Giroldo. Uma das conseqüências disto é a dificuldade em utilizar a pós-graduação como ferramenta de transformação da realidade sócioeconômica do país. “O mapa da Pós-graduação mudou. Hoje o país está em 13º lugar na geração de conhecimento e formamos milhares de doutores a mais do que há 10 anos. O mapa da fome, no entanto, continua o mesmo. Embora a gente espere que a pós-graduação ajude a mudar a nossa realidade, isto não está acontecendo. E temos que pensar no porquê disso”, apontou Leães.

Além disso, há uma disponibilidade maior de doutores do que de cursos em nosso território. Apenas 24% das mesorregiões contam com nenhum ou apenas um doutor, enquanto 45,3% estão desprovidas de cursos de formação. Ou seja, a falta de estrutura é mais determinante do que a falta de recursos humanos.

De acordo com os pró-reitores, o desafio é investir na educação de base e promover uma expansão da Pós de acordo com a vocação e o potencial de cada mesorregião. Investir na formação de doutores nestes locais também é fundamental. “É muito difícil fazer com que um pesquisador saia do Sudeste para o Nordeste, por exemplo, e quando isso ocorre, o profissional fica no local por pouquíssimo tempo”, disse Giroldo. Ainda de acordo com eles, o valor das bolsas para cada área do conhecimento deveria ser redimensionado. “As bolsas oferecidas pelo governo para doutorandos em Tecnologia da Informação não são nem um pouco atrativas quando comparadas ao salário oferecido no mercado produtivo – e até mesmo no exterior”, ressaltou Leães.

Os pró-reitores lembraram alguns programas de governo que contemplam melhorias no ensino superior, como o REUNI e o Ciência Sem Fronteiras. “Mas tudo é decidido dentro de gabinete e sem a presença de quem vive o dia a dia da universidade. Com este estudo, estamos tentando nos inserir neste processo”, concluiu Giroldo.

O estudo foi realizado durante o ano de 2010 e, segundo os pró-reitores, a ideia surgiu durante a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), onde era constante a discussão sobre a heterogeneidade dos estados em relação à distribuição de cursos de pós e doutores. Eles tiveram apoio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e do Colégio de Pró-reitores de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação das Ifes (Copropi).

Fonte: FINEP

Antonio Anastasia tem primeiros encontros comerciais na Índia

outubro 11th, 2011 by melissa

O governador Antonio Anastasia iniciou nesta segunda-feira, dia 10, sua agenda oficial em Mumbai, capital comercial da Índia. O primeiro compromisso do governador na Ásia foi uma reunião no Exim Bank (Export-Import Bank of India), principal instituição financeira de promoção à exportação e importação do país.

Anastasia assistiu a uma apresentação de dados da economia indiana, com os números do comércio bilateral entre os dois países, além de informações sobre empresas indianas no Brasil. Durante a palestra, foram demonstrados também os principais produtos do comércio externo indiano e analisadas as áreas potenciais de incremento de negócios entre Brasil e Índia – mineral, energia, agronegócio.

“As potencialidades e afinidades são muitas e buscaremos aproveitá-las da melhor maneira. O Exim Bank já desenvolve parcerias com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e nosso propósito é estreitar as relações envolvendo o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) para estimular empresas brasileiras e mineiras que queiram fazer negócios na Índia e aquelas empresas indianas que queiram levar para Minas Gerais seus negócios”, afirmou o governador.

Na reunião, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, destacou o crescimento econômico do Estado nos últimos anos e a intenção de diversificar e agregar valores aos produtos, como um dos fatores de atração para investimentos indianos no país.

Prabhakar Dalal, diretor executivo do Exim, ressaltou o crescimento similar entre o Brasil e a Índia e reafirmou que o desenvolvimento de setores similares pode ser um grande estímulo para que o banco desenvolva linhas de financiamento para investimentos no Brasil. “A partir desse encontro as portas estão abertas para trabalharmos juntos e levarmos adiante as propostas de negócios”, disse Dalal.

Grupo Tata

À tarde, acompanhado pela comitiva empresarial, o governador visitou a sede do Tata Group, maior conglomerado empresarial da Índia, com cerca de 400 mil empregados e atuação em diversas áreas como de automóveis, tecnologia da informação, consultoria de serviços, energia e química.

Recebido pela diretora de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios, Janaki Chaudhry, o governador percorreu um showroom demonstrativo dos números e setores de atividade da empresa e conheceu o Tata Nano, carro popular produzido pelo grupo.

Janaki Chaudry afirmou que o Brasil é um mercado chave para o grupo e que as reuniões com empresários mineiros poderiam dar bons resultados para que os negócios com Minas Gerais prosperem.

Também participaram da reunião a secretária de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Narcio Rodrigues, o Cônsul Geral do Brasil em Mumbai, Josal Luiz Pellegrino, o Cônsul Honorário da Índia em Minas Gerais, Élson Gomes, além de vários empresários mineiros.

Fonte: Agência Minas

Lei para proteger florestas não é exclusividade brasileira, mostra estudo

outubro 11th, 2011 by melissa

Em meio ao acirramento do debate sobre mudanças no Código Florestal, desta vez no Senado, ambientalistas se mobilizam para derrubar um dos argumentos mais usados pelos ruralistas para justificar as flexibilizações na lei: o de que a proteção de florestas é uma anomalia brasileira e que outros países já não estão empenhados na conservação da cobertura vegetal.

Pesquisadores do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do ProForest, ligado à Universidade de Oxford, selecionaram 11 países para mostrar que a legislação florestal também é exigente em outras nações e que os proprietários de terras com floresta estão sujeitos a regras rígidas de conservação.

“Boa parte dos mantras ruralistas se mostrou completa falácia. Faltava desmistificar a ideia de que o Código Florestal é uma jabuticaba, que só existe no Brasil”, comparou o diretor da Campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adário, em referência a um comentário da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Ela disse que a legislação florestal criteriosa é uma exclusividade brasileira, como a frutinha nativa da Mata Atlântica.

O estudo traz informações sobre o percentual de cobertura florestal na Alemanha, China, nos Estados Unidos, na França, Holanda, Índia, Indonésia, no Japão, na Polônia, no Reino Unido e na Suécia.

Com exceção da Indonésia, onde até o ano passado as florestas públicas eram designadas como áreas de conversão para a agricultura, todos os países da lista registram manutenção ou aumento da cobertura vegetal entre 1950 e 2010, o que significa que houve esforços e investimentos para frear as derrubadas e recompor as áreas desmatadas.

“A perda de floresta é uma exceção. A regra hoje é manter e recuperar a cobertura vegetal”, avaliou o pesquisador sênior do Imazon, Adalberto Veríssimo, um dos coordenadores do estudo.

Na França, por exemplo, as florestas cobriam 21% do território do país em 1950 e em 2010 o percentual alcançou 29%. A conversão de qualquer área de mais de 4 hectares de floresta no país requer permissão do governo e só é concedida por razões ambientais.

Os pesquisadores também apontam casos em que o custo político ou econômico de manter a floresta é muito alto, como no Japão, em que a população vive quase confinada em pequenos territórios, mas não há expansão de cidades sobre áreas florestais. O país tem atualmente 69% de cobertura vegetal, e a lei japonesa não permite conversão da floresta, exceto em circunstâncias excepcionais.

Segundo Veríssimo, a trajetória do desmatamento nos países avaliados segue um padrão: as florestas são derrubadas até um ponto de estabilização da cobertura vegetal e, em seguida, começa um processo de recuperação, à medida que eles se desenvolvem. Para o pesquisador, o atual estágio de cobertura vegetal do Brasil, que tem 56% do território com florestas – nativas ou plantadas – , já pode ser considerado o “fundo do poço”, o ponto que determina a mudança de trajetória rumo à recuperação.

“O Brasil está indo ladeira abaixo. E a atual discussão do Código Florestal caminha no sentido de permitir que o país continue nesse sentido. Se o ritmo for mantido, vamos chegar em 2020 com menos de 50% de florestas”, calculou.

Para os autores do estudo, a flexibilização do Código Florestal, como quer parte do setor agrícola representado pela bancada ruralista, poderá colocar o Brasil na contramão da tendência de retomada das florestas e pôr em risco compromissos internacionais assumidos pelo país, como a redução de emissões de gases de efeito estufa em até 38,9% até 2020. “O Brasil não fechará essa conta se não decidir o que quer fazer com as florestas. E manutenção de floresta é sempre uma opção política”, ponderou Veríssimo.

O declínio na proteção de áreas de Preservação Permanente (APPs) e a redução dos percentuais de reserva legal, como defendem os ruralistas, também acarretariam prejuízos econômicos, segundo Adário, do Greenpeace. “A aprovação de um código permissivo pode prejudicar o Brasil no mercado internacional. O mundo de hoje não é o mundo pré-industrial. As decisões têm implicações globais. A proteção das florestas é também uma proteção de mercado”, comparou.

Fonte: Agência Brasil - Luana Lourenço