Entre os dias 01 e 23 de novembro de 2011, o Polo de Excelência em Genética Bovina esteve na Nova Zelândia e na Austrália em missão internacional com intuito de reconhecer o ambiente tecnológico e de negócios da cadeia produtiva do leite (Nova Zelândia) e da carne (Austrália).
O grupo foi composto pela Dra. Beatriz Cordenonsi Lopes pesquisadora da EPAMIG e gerente do Polo; Dra. Melissa Nunes Miziara (Polo); Dra. Vânia Maldini Penna representante da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); Cláudio Severino Lara representando o setor de biotecnologias de embriões; Tiago Moreira Carrara da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) e Cynthia Rocha representante da Assessoria Estratégica de Parcerias Nacionais e Internacionais da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (SECTES). A missão recebeu o apoio do SEBRAE/MG, parceiro em diversas ações do Polo.
Dra. Beatriz informou que o grupo foi muito bem recebido nos dois países, onde visitaram instituições de ensino/pesquisa, fazendas, associações de criadores e centrais de inseminação artificial. Segundo a gerente do Polo, o grupo retornou com excelentes perspectivas de parcerias para o Estado de Minas Gerais. Há interesse na condução de pesquisas em conjunto com ambos os países e as Universidades Australianas demonstraram grande interesse em receber alunos de pós-graduação mineiros. Os projetos apoiados pelo Polo de Genética também despertaram grande interesse nas instituições visitadas.
De acordo com Beatriz, na Nova Zelândia os solos são extremamente férteis com gramíneas e leguminosas de elevado potencial nutritivo e o clima é ameno, o que favorece os sistemas de produção com animais taurinos, onde predominam as raças Jersey, Holandês e a Kiwicross, cruzamento destas, desenvolvida na Nova Zelândia. A semelhança com o Brasil está apenas na utilização de sistemas de produção de leite a pasto.
Segundo o Livestock Improvement Corporation (LIC), uma das instituições visitadas pelo grupo, a Nova Zelândia apresenta um rebanho de 4,2 milhões de vacas, com uma produção média de 4.000 Kg de leite por lactação e 330 Kg de sólidos, sendo 95% de sua produção exportada, o que faz com que o setor de lácteos represente algo em torno de 25% do PIB do país. As vacas neozelandesas apresentam alta fertilidade, com intervalo entre partos de um ano, idade ao primeiro parto de 24 meses e longevidade média de cinco lactações. Em média 80% das vacas são inseminadas, preferencialmente com sêmen a fresco, sendo rigoroso o descarte de vacas vazias ao final da estação.
Já na Austrália, no Estado de Queensland, em especial na cidade de Rockhampton, Beatriz relatou que o clima assemelha-se muito ao da região norte de Minas Gerais com baixos índices pluviométricos, pastagens de capim buffel (Cenchrus ciliaris) e predomínio do gado zebu, o que possibilita uma aproximação dos sistemas de produção entre Brasil e Austrália.
De acordo com o Cooperative Research Centre for Beef Genetics Technologies (Beef CRC), o agronegócio australiano fatura cerca de 12,1 bilhões de dólares/ano. O país apresenta um rebanho de 27,3 milhões de bovinos, o que representa 2,8% do rebanho mundial e 23% do mercado mundial de carne (perdendo somente para o Brasil), sendo 70% da produção exportada para mais de 110 países. É reconhecido pelas instituições australianas que não há como competir com o Brasil em relação ao volume a ser exportado, já que o rebanho brasileiro é oito vezes maior. No entanto, de acordo com Beatriz, os mercados trabalhados pela Austrália são os que melhor remuneram e que a competitividade australiana se dá pela qualidade da carne produzida (Coréia do Sul, Japão e EUA).
No momento a equipe do Polo trabalha no fechamento do relatório da missão (que será disponibilizado no CIGB) e na preparação da reunião com o Comitê Gestor marcada para o dia oito de dezembro, onde serão apresentadas as expectativas registradas pelo grupo durante a missão.
“Entendemos que com a realização desta missão foram abertas importantes portas internacionais para a cadeia do agronegócio de Minas Gerais”, finalizou Beatriz.
Fonte: Centro de Inteligência em Genética Bovina - Elaborado por Marcela Galvão de Barros França