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Pesquisa da Apex aponta necessidades das empresas brasileiras para aumentar competitividade no exterior

sexta-feira, fevereiro 17th, 2012

Informações adequadas para a tomada de decisões, ganhos em escala e redução dos riscos são algumas das necessidades apontadas pelas empresas brasileiras para se tornarem mais competitivas no mercado internacional. A pesquisa feita pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) ouviu 400 companhias nacionais, dentro do processo de planejamento estratégico do órgão, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A pesquisa teve como foco 25 competências gerenciais em termos de estratégia, marketing, produção e finanças. “O que a pesquisa procurou avaliar foi quais eram aquelas competências onde havia uma atribuição de importância maior e onde as empresas estavam desempenhando pior”, disse a gerente-geral de Negócios da agência, Ana Repezza.

Com base nas respostas, a Apex-Brasil dividiu os grupos de empresas em cinco graus de maturidade exportadora, abrangendo desde as companhias que ainda não exportam até as já internacionalizadas.

As necessidades apontadas são diferentes, disse Ana Repezza. “A gente percebeu que à medida que a maturidade exportadora aumenta, surgem necessidades diferentes para que ela se torne mais competitiva no mercado internacional”. As empresas que ainda não exportam apresentam grande dificuldade para saber tomar as decisões adequadas. “Há uma dificuldade grande de informações para ter um melhor conhecimento e poder tomar decisão de forma menos arriscada”, completou.

De acordo com a gerente, nas empresas mais maduras, o nível de exigência é maior em termos de competitividade. “As empresas mais experientes demonstram interesse em otimizar o custo de produção, ou seja, em ganhar mais escala”, disse. As companhias internacionalizadas têm necessidade de receber informações mais refinadas para diminuir os riscos financeiros na operação efetuada no mercado exterior.

O objetivo da pesquisa foi subsidiar as discussões do planejamento estratégico para que a Apex possa realinhar a lista de produtos e serviços e buscar um parceiro estratégico mais adequado para conseguir atingir esses objetivos. Daí a apresentação, nesta quarta-feira (15/02), dos resultados da pesquisa para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Para ele (o banco) avaliar, em conjunto com a Apex, como podem atuar para atender às diferentes necessidades das empresas em seus diversos graus de maturidade exportadora”. A pesquisa não teve viés setorial, e englobou empresas de várias áreas econômicas.

Ana Repezza sublinhou que a geração da competitividade é priorizada no Plano Brasil Maior, lançado pela presidenta Dilma Rousseff em agosto do ano passado. “A gente quer ter uma base de competitividade das nossas empresas. O que para nós se traduz em programas de capacitação, treinamento, indução de melhoria de processos nas empresas, inclusive que elas invistam mais em design, inovação em seus produtos, para que conquistem um diferencial no mercado”.

Fonte: Agência Brasil

MICT e MEC lançam portaria que institui grupo de trabalho interministerial para integrar ações em IES

sexta-feira, fevereiro 10th, 2012

Em 31 de dezembro de 2011, foi publicada, no Diário Oficial da União, a Portaria Interministerial n°1.027, do Ministério de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (MICT) e do Ministério de Estado da Educação (MEC). O documento institui o Grupo de Trabalho Interministerial para a Integração de Ações no âmbito do Programa PROINFRA - GTI – PROINFRA.

O GTI-PROINFA tem as seguintes atribuições: propor a integração de ações de implantação e recuperação de infraestrutura de instituições públicas de ensino superior e pesquisa; propor a articulação de instrumentos e iniciativas na área de infraestrutura de instituições públicas de ensino superior e pesquisa; e propor formas de aumentar a eficácia e a eficiência das ações de implantação e recuperação de infraestrutura de instituições públicas de ensino superior e pesquisa.

FAO revê demanda por alimentos até 2050

sexta-feira, fevereiro 10th, 2012

O mundo vai precisar de menos alimentos até 2050, contrariando as estimativas vigentes. A explicação está na demanda global, que crescerá a taxas bem menores do que vinha sendo previsto. Foi o que afirmou ontem o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Jose Graziano da Silva, surpreendendo mais de 200 executivos do agronegócio reunidos em Genebra, Suíça.

Em 2009, a FAO havia estimado que o mundo precisaria aumentar a produção global de alimentos em 70%, tomando como base a média de produção entre 2005 e 2007, para alimentar 9,1 bilhões de pessoas em 2050 - 2 bilhões a mais do que a atual população do planeta. Nada menos que 90% desta expansão deveria vir de maior produtividade, colheitas intensivas e incremento de 10% do uso da terra.

A agência da ONU refez os mesmos cálculos, por meio de novas informações disponíveis, e concluiu que a necessidade de incrementar a produção agrícola até 2050 será por volta de 60%, tanto para uso alimentar como para a produção de biocombustíveis.

Conforme Graziano, esta conclusão reflete pelo menos três fatores. Primeiro, o crescimento populacional será menor e haverá declínio da população em vários países e regiões, incluindo Japão, China, Brasil e Europa.

Em segundo lugar, mais países e grupos populacionais deverão atingir, gradualmente, um nível de consumo de alimentos que, por sua vez, encontrarão pouco espaço para a expansão.

Terceiro: ao mesmo tempo em que a demanda por alimentos pode aumentar em certos países, muitos outros continuarão a ver suas populações aumentarem e permanecerão com baixas rendas ou pobreza significativa ainda por um longo período.

“O aumento da renda per capita, principalmente nos Brics [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] é menor do que o previsto por causa da crise. Menos renda significa menos consumo”, afirmou Graziano. “Além disso, houve redução de metas de uso de biocombustíveis na Europa, o que também explica a nova projeção”, disse o brasileiro.

Mas os participantes do seminário sobre “como alimentar o mundo”, realizado em Genebra, pareceram pouco convencidos. Paul Bulcke, presidente da Nestlé, um dos patrocinadores do evento, continuou falando da necessidade de aumentar a produção mundial em até 90% para atender à demanda. O executivo insistiu que o aumento da população mundial, a escassez de água e o desperdício de alimentos ou seu uso na produção de biocombustíveis - em referência ao etanol a base de milho dos EUA - têm impactos sobre a segurança alimentar.

“O pessoal se assustou [com a nova estimativa], mas 60% de aumento na produção significa muito”, observou Graziano, notando que as terras disponíveis para agricultura são poucas e situadas basicamente na América do Sul e nas savanas africanas.

Para o diretor da FAO, os países do Mercosul continuarão a ser o celeiro do mundo e a “grande restrição ao bloco é o comércio internacional e os fertilizantes, que são caros e quase todos importados”, disse. Ele reiterou que o mundo passará por uma década de preços elevados de alimentos e a grande preocupação será a volatilidade, que não favorece o produtor nem o consumidor.

Graziano sinalizou, também, os limites da FAO na luta contra a fome: o órgão dispõe de apenas US$ 1 dólar para cada pessoa mal nutrida no mundo, e elas somam 1 bilhão atualmente. Por isso ele reforçou a defesa pela redução do desperdício de alimentos em toda a cadeia produtiva, do campo ao consumo. No Brasil, essas perdas são estimadas em 40%.

“As pessoas acham que sabem comer, mas não é verdade”, disse. Estima-se que a redução global do desperdício em 25% seria suficiente para alimentar 500 milhoes de pessoas por ano sem a necessidade de ampliar a produção.

Até março, a FAO deverá aprovar ainda um código de conduta para reduzir investimentos estrangeiros na aquisição de terras, mas as normas serão voluntárias e os 190 países-membros poderão adotá-las ou não.

Fonte: Valor Econômico

Convergência tecnológica, estratégia que reúne áreas diversas em temas de fronteira

terça-feira, fevereiro 7th, 2012

Mihail Roco, engenheiro de ascendência italiana nascido na Romênia e uma das maiores autoridades em nanotecnologia nos Estados Unidos, esteve em São Paulo em novembro para motivar os pesquisadores brasileiros a trabalharem em conjunto com colegas de outras áreas em projetos amplos, ambiciosos, de alto impacto científico, econômico e social. Essa abordagem de trabalho multidisciplinar é hoje chamada convergência tecnológica, um tema debatido na Europa, nos Estados Unidos, na Austrália e no Japão e cada vez mais valorizado no Brasil. Em 2008, Esper Abrão Cavalheiro, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e assessor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) do Ministério da Ciência e Tecnologia, alertou: “Se o Brasil não entrar no debate sobre as convergências tecnológicas correrá o risco de ver os países desenvolvidos decidindo por nós” (ver Pesquisa FAPESP nº 136).

“As pessoas não conseguem se reorganizar do dia para a noite”, comentou Roco, conselheiro de nanotecnologia da National Science Foundation (NSF), principal agência federal norte-americana de financiamento à pesquisa, com um orçamento anual próximo a US$ 7 bilhões. Mesmo nos Estados Unidos, segundo ele, não é nada fácil convencer um cientista a levar realmente a sério o que um colega de outra área está fazendo. “Uma de minhas tarefas é tirar os cientistas da inércia em que vivem e mostrar que podem ganhar muito trabalhando com especialistas de outras áreas”, comentou. “As especialidades são necessárias, mas não precisamos permanecer o tempo todo nelas. Podemos integrar nossas áreas e voltar a ver a ciência como uma coisa só.” Em 10 anos, desde que começou a trabalhar nessa área no NSF, Roco fez os investimentos federais em nanotecnologia nos Estados Unidos aumentarem seis vezes, até atingir US$ 1,5 bilhão, como em 2007.

Segundo Roco, a convergência tecnológica implica começar um trabalho a partir dos problemas a serem resolvidos, não das disciplinas envolvidas. Implica também buscar objetivos comuns, compartilhar teorias e enfoques de trabalho, valorizar as capacidades das pessoas e os resultados e antecipar e gerenciar oportunidades e riscos. Em resumo, como ele disse, “usar todo o cérebro, não só parte dele”. Para deslanchar, essa estratégia de trabalho necessita também de mudanças na governança das universidades, centros de pesquisa, empresas e órgãos do governo, de modo que valorizem “uma visão de longo prazo, transformadora, inclusiva, colaborativa e visionária”.

Os Estados Unidos apostam nessa estratégia de trabalho multidisciplinar – em especial na área chamada NBIC, que reúne nanotecnologia, biologia, informática e ciências cognitivas – para manter a liderança científica mundial. Se os obstáculos forem vencidos, talvez os pesquisadores consigam realmente chegar, como pretendem, a terapias contra câncer ou uma retina artificial, entre outros produtos, como resultado do trabalho conjunto de médicos, engenheiros, físicos e cientistas da computação.

“Nas décadas recentes houve duas revoluções biomédicas, a biologia molecular e a genômica”, recapitularam Phillip Sharp e Robert Langer, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Estados Unidos, em um artigo publicado em julho de 2011 na revista Science. “Acreditamos que a convergência de campos representa uma terceira revolução, em que o pensamento e a análise multidisciplinares permitirão a emergência de novos princípios científicos e em que engenheiros e físicos sejam parceiros em igualdade de condições com biólogos e médicos enquanto lidam com os novos desafios médicos.” Sharp, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1993, é também o primeiro autor de um documento de 40 páginas do MIT distribuído em janeiro de 2011 com as definições e as perspectivas da convergência tecnológica, agora vista como uma abordagem capaz de trazer avanços em setores como saúde, energia, agricultura e clima.

Zona de conforto

E no Brasil, quais as chances de a convergência tecnológica avançar? Teoricamente, são grandes, na visão de Lélio Fellows Filho, assessor do CGEE. Seu primeiro argumento é que a convergência tecnológica, que ele define como “uma nova maneira de olhar problemas e abordar soluções”, é oportuna porque “precisamos dar saltos, não só caminhar”, para resolver os problemas do país. Além disso, ele verificou que 1.309 grupos de pesquisa, dos 35 mil registrados no país, já estão na NBIC (220 grupos em nanotecnologia, 791 em biotecnologia, 278 em tecnologias da informação e 120 em ciências cognitivas). Dos 134 institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCTs), 55 formam “o universo que pode ser mobilizado para ações de convergência”, comentou.

Fellows sabe que não será simples motivar os principais representantes desse universo a trabalharem coletivamente em problemas comuns ou que exigem soluções complexas. “Precisamos diminuir a desconfiança e as distâncias entre áreas de conhecimento de práticas, costumes e ideários diferentes”, ele propõe. “Temos também de vencer a inércia das áreas de conhecimento e motivar os pesquisadores a saírem de suas zonas de conforto e se envolverem em iniciativas de risco e de ruptura.”

Fonte: Pesquisa FAPESP Online - Carlos Fioravanti

Empresas despertam para a inovação

terça-feira, janeiro 24th, 2012

No horizonte de dez anos, mais de 70% das grandes empresas brasileiras pretendem ser líderes em tecnologia, apesar das condições econômicas adversas que afetam o seu desempenho. Na situação atual, cerca de 40% entendem que já são líderes, mas ainda prevalecem posicionamentos mais tímidos, como o de seguidor rápido de tecnologias de ponta ou de adaptador de tecnologias ao mercado brasileiro.

As informações são de uma pesquisa inédita do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que entrevistou os principais dirigentes de 40 grupos privados, dos quais 30 de empresas de maioria de capital nacional e dez grandes empresas transnacionais que atuam no mercado brasileiro. Esses grupos respondem por 80% do esforço nacional em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Hoje, o número de empresas que fazem Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) no Brasil não passa de 2,5 mil, enquanto 30 mil são inovadoras. É pouco num universo de quase 100 mil empresas industriais existentes no País. “Mas o mundo inteiro é assim”, diz o coordenador da pesquisa, o reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Carlos Américo Pacheco.

Para 58% dos entrevistados, a inovação tecnológica é decisiva para sua estratégia de mercado atual, enquanto 42% consideram a tecnologia relevante. No horizonte de dez anos, o entendimento se altera de forma ainda mais explícita: 80% das empresas afirmam que a tecnologia terá papel decisivo e 20% consideram que será relevante.

“As empresas estão percebendo que se quiserem entrar no mundo vão ter de investir em inovação”, diz o presidente do Iedi, Pedro Passos, sócio fundador da Natura Cosméticos. “Entender a inovação como vetor do crescimento passou a ser fonte de sobrevivência das empresas de manufatura”, frisa.

Nesse cenário, os resultados da pesquisa indicam que o diagnóstico, repetido em muitos fóruns de debates, de que falta cultura de inovação nas empresas brasileiras “não passa de bobagem”, diz Pacheco.

“As empresas brasileiras respondem aos desafios que o mercado e o ambiente econômico lhes impõem”, diz o presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, um dos entrevistados na pesquisa. Para ele, se a inovação não for entendida nesse contexto, a discussão se as empresas inovam ou não inovam se restringem apenas a um problema comportamental, em geral “associado a um julgamento moral” do papel esperado das lideranças empresariais. “O essencial é entender que as empresas inovam por razões econômicas”.

Na verdade, são condições como preços e custos relativos do Brasil, perspectivas de demanda e o grau de capacitação da própria empresa e de seus fornecedores, que ditam as estratégias empresariais e o que as empresas fazem em termos de inovação, ressalta o coordenador da pesquisa do Iedi.

Na visão dos executivos consultados, as razões mais frequentes para inovar são ampliar receitas e atender as necessidades dos consumidores, apontadas por três entre cada quatro empresas. Duas em cada três também assinalam as motivações de atender as necessidades dos consumidores e reduzir custo.

Entre as razões citadas com menos frequência se encontram a internacionalização das empresas e criação de oportunidades de exportação. Para o Iedi, isso reflete a baixa inserção internacional do Brasil em segmentos mais dinâmicos e também a valorização do real frente ao dólar.

Novas escolhas. Na avaliação do presidente da Suzano Papel e Celulose , Daniel Feffer, o investimento em inovação terá maior impulso e será economicamente viável se atrelado a uma política industrial.

“O Governo está empenhado na agenda de inovação, mas não terá recursos para tudo”, diz o presidente da Fiat, Cledorvino Bellini. Ele lembra que os centros de excelência que o Brasil tem, como a Embrapa e o ITA, foram escolhas estratégicas que deram resultados, mas o País vai ter de fazer novas escolhas.

Fonte: Portal Protec

RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE O BRASIL E A ARGENTINA

segunda-feira, janeiro 23rd, 2012

O novo regime de importação argentino, que entra em vigor no próximo dia 1º de fevereiro, provocou um curto-circuito nas relações comerciais entre o Brasil e a Argentina – os dois maiores sócios do Mercosul, bloco econômico integrado também pelo Paraguai e Uruguai.
Nesta última quinta-feira (19), a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, disse que o Brasil está sendo favorecido pelo comércio bilateral e que a realidade “não justifica os comentários” do ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
A ministra se referia à entrevista dada pelo colega brasileiro, quarta-feira (18), nos Estados Unidos, e publicada hoje com destaque pela imprensa argentina, na qual admite que “a Argentina tem sido um problema permanente”, no que diz respeito às relações econômicas.
Debora Giorgi reagiu lembrando que, em 2011, o Brasil registrou um superávit em sua balança comercial de US$ 30 bilhões e que a Argentina foi responsável por 19,5 por cento deste saldo favorável. No ano passado, acrescentou a ministra, as importações argentinas de produtos brasileiros aumentaram 23% em relação a 2010. Dos US$ 22,7 bilhões exportados pelo Brasil para a Argentina, 95% foram de produtos manufaturados.
As declarações dos dois ministros ocorrem após o anúncio do governo argentino sobre medidas relacionadas ao comércio entre os dois países. Na semana passada, os importadores locais foram informados de que, a partir de fevereiro, terão que apresentar uma declaração juramentada antecipada na Receita Federal argentina. E que os pedidos de importação serão examinados e autorizados pelo secretário do Comercio Interior, Guillermo Moreno, em um prazo de 15 dias.
Esta semana, o ministro do Planejamento, Julio De Vido, mandou investigar a Petrobras e e mais quatro companhias petrolíferas, acusadas por empresas de transporte publico e de cargas, de formação de cartel para aplicar sobrepreços ao óleo diesel.
A presidenta Cristina Kirchner, após ser reeleita com 54% dos votos, em outubro passado, tem adotado uma serie de medidas com um único objetivo: evitar que a Argentina tenha um problema de caixa. Desde 2003, quando os Kirchner chegaram ao poder, a economia do país tem crescido em media 7%, permitindo se recuperar da crise de 2001 – a mais séria de sua recente história. Até agora, no entanto, a Argentina não foi afetada pela crise nos Estados Unidos e na Europa. Mas 2012 promete ser um ano difícil.
O crescimento econômico argentino não depende tanto dos Estados Unidos e da Europa, mas depende do Brasil e da China. E o crescimento desses dois países foi afetado pela crise mundial. É natural que a desaceleração das economias brasileira e chilena afetem a Argentina”, disse a Agência Brasil, o economista Fausto Spotorno.
Sem acesso a crédito externo, desde que declarou a moratória da dívida externa em 2001, a Argentina depende das exportações para fazer caixa. Por isso o governo quer manter o saldo na balança comercial de US$ 10,5 bilhões, registrado em 2011. Mas analistas da área econômica acham difícil cumprir esta meta.
A atividade econômica crescerá menos este ano, cerca de 3,5%. E as exportações devem crescer pouco. Já os gastos com a importação de energia deverão aumentar muito”, declarou à Agencia Brasil o economista Marcelo Elisondo, diretor da consultora DNI. Só com a compra de gás e energia elétrica, segundo ele, o país deve gastar este ano US$ 7 bilhões. “O governo precisa limitar as importações para ter dinheiro para importar energia”, disse.
Hoje, o governo argentino se reuniu com os importadores para explicar como funcionará o novo sistema. “Entendemos que o governo tenha anunciado o novo regime de importação com tanta pressa e sem muito tato. Teme que a seca afete a produção agrícola”, disse à Agencia Brasil, Miguel Ponce, gerente de Relações Institucionais da Câmara de Importadores Argentinos (Cira).
Se o sistema inaugurado for transparente e rápido, poderá representar uma melhora. Agora sabemos que a política de importação está nas mãos de Guillermo Moreno, e esperamos que este sistema seja mais eficiente que as licenças não automáticas (LNA). Pelas as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), produtos importados por este regime devem entrar no país em no máximo 60 dias. Mas o governo argentino mais de uma vez atrasou a liberação das importações”, lembrou.
Segundo o especialista em comércio exterior, Mauricio Claveri, por serem os dois principais sócios do Mercosul, o Brasil e a Argentina têm capacidade de negociar soluções políticas para seus problemas comerciais. “Em 2011 a Argentina estava em um ano eleitoral. Mas agora que Cristina foi reeleita para quatro anos e assegurou a maioria no Congresso, não acho que o governo brasileiro continuará sendo tão tolerante como antes”, declarou Claveri.

Brasil se ressente de anos de atraso na formação da elite do conhecimento

quinta-feira, janeiro 19th, 2012

Aos 23 anos, a mineira Luísa Peconick sonha alto. Nem bem terminou o curso de biologia da Universidade de Brasília (UnB), começou um mestrado na instituição. Apesar de dedicar quase todo o tempo de estudo à virulência de um gene específico de um fungo, já prepara caminho para fazer um doutorado no exterior. “Na área de biologia, não há muitas oportunidades para estudantes que só têm o diploma de graduação”, explica. “Por isso, estudamos tanto. A dedicação é absoluta. Às vezes, as pesquisas adentram os fins de semana e feriados”, diz. Tanto comprometimento lhe rendeu uma bolsa, de R$ 1,2 mil mensais, bancada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O carioca Marcus Cardoso, 36 anos, tem a clara noção do esforço despendido na última década para alcançar o mais elevado grau de educação. Convencido de que o seu lugar era na universidade, ingressou, em 2003, em um mestrado na área de antropologia. Terminada essa etapa, partiu para o doutorado, concluído no ano retrasado. Agora, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), está mergulhado nos livros para disputar uma vaga de pós-doutorado fora do País. Os anos pesados de estudo não lhe tiram o bom humor, sobretudo porque, na sua avaliação, finalmente o Brasil está acordando para a necessidade de formar o que há de melhor em todas as profissões.

Os casos de Luísa e de Marcus deveriam ser rotineiros em um país que alcançou o posto de sexta maior economia do planeta. Mas, infelizmente, configuram quase exceções. Em número de doutores, o País continua atrás de muitas economias menores, com uma média de 1,4 graduado para cada mil habitantes. Ganha apenas da vizinha Argentina, com uma relação de 0,2, conforme levantamento da Capes para o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) até 2020. A maior referência é a Suíça, com 23 doutores para cada mil habitantes. Em segundo lugar está a Alemanha, com 15,4, seguida pelos Estados Unidos, com 8,4.

“No ritmo atual, só conseguiremos alcançar níveis como os da Austrália e do Canadá, de 5,9 e 6,5 doutores para cada mil habitantes, respectivamente, em 2025. E, com muita sorte, até 2050, nos equipararemos à Suíça de hoje”, diz o presidente da Capes, Jorge Guimarães.

Não será tarefa fácil. Com um total de 12 mil doutores e 40 mil mestres titulados no ano passado, várias universidades já enfrentam dificuldades para completar seus quadros. “A rede privada está desesperada para cumprir as exigências do Ministério da Educação de se ter, no mínimo, um terço do quadro de professores com mestrado e doutorado”, afirma Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semesp). “E não está sendo diferente nas universidades públicas”, acrescenta.

Desafios

Não bastasse a escassez de doutores nas universidades, também a indústria se ressente da falta de profissionais para tocar programas de pesquisa e inovação, como é comum nas economias desenvolvidas e na maior parte das nações emergentes. “No Brasil, cerca de 70% dos doutores estão na educação e 11% na administração pública. Mudar esse quadro é um dos maiores desafios para o desenvolvimento da economia do País”, ressalta Glaucius Oliva, presidente do CNPq. A virada tão necessária, porém, terá de começar na base da pirâmide, pois, mesmo com os avanços no combate à evasão escolar e com os investimentos em novas universidades públicas e em programas de bolsas para estudos no exterior, o Brasil ostenta 60% de analfabetos funcionais, pessoas que sabem ler, mas têm dificuldades para interpretar um texto.

“Esse é um dos motivos para tanta evasão nas universidades e para o deficit de profissionais que a economia tanto necessita” destaca Guimarães, da Capes. Nos cursos de engenharia, por exemplo, 65% dos alunos matriculados desistem no meio do caminho por não conseguirem acompanhar as aulas. Trata-se de um quadro inaceitável que empurra o Brasil para o 47º lugar na lista dos países mais inovadores do mundo, mesmo sendo o 13º maior produtor de trabalhos científicos.

A hora da virada, acredita Glaucius Oliva, é agora. O Governo não pode fracassar no projeto lançado em agosto do ano passado, o Ciência Sem Fronteiras, que tem como meta enviar 100 mil estudantes a universidades estrangeiras até 2014. A frustração custará anos de atraso para o País, conforme o último capítulo desta série. Dados do Institute of International Education (IIE) mostram que, em 2011, o Brasil enviou apenas 8,7 mil estudantes de pós-graduação para os EUA, contra 157,5 mil da China e 103,8 mil da Índia.

Fonte: Correio Braziliense (Rosana Hessel - adaptado por Melissa Miziara - Polo de Excelência em Genética Bovina)

Paulo Piau será o relator do novo Código Florestal na Câmara

quinta-feira, dezembro 15th, 2011

O deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que é engenheiro agrônomo da cidade de Uberaba/MG e pesquisador da EPAMIG, foi escolhido na última terça-feira (13/12) como o relator do texto de reforma do Código Florestal na Câmara dos Deputados. O projeto foi aprovado pelo Senado na semana passada e volta à Casa para ser aprovado. Piau acredita que “as mudanças propostas pela Câmara devem ser mínimas”, mas criticou o fato de o relatório do senador Jorge Viana restringir as atividades agropecuárias em áreas com declividade entre 25º e 45°, pois isso prejudica grande parte da pecuária leiteira de Minas Gerais.

A bancada ruralista está dividida em relação ao assunto. Alguns deputados querem retomar o texto original do relatório do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), mas o novo relator acredita que até a votação, prevista para acontecer entre os dias 6 e 7 de março de 2012, será possível chegar a um consenso.

Piau afirmou que irá trabalhar durante o recesso parlamentar para fundamentar as mudanças que deve sugerir, mas de antemão sabe que não será fácil, pois pelo regimento não pode mexer na redação aprovada pelo Senado, apenas acatar ou rejeitar partes do texto, que podem ser substituídas por outras aprovadas pelos deputados durante a discussão na Câmara.

O deputado disse que irá pedir esta semana aos governos estaduais que realizem avaliações sobre o impacto das restrições à exploração agropecuária nas áreas de Preservação Permanente (APPs), tanto nas encostas como nas beiras dos rios. Piau é o autor da polêmica emenda 164, que estende aos estados o poder de decidir sobre as atividades agropecuárias em APPs.

Fonte: Agência Estado

NOTÍCIAS MISSÃO: Polo de Genética Bovina abre portas internacionais para o agronegócio mineiro

quinta-feira, dezembro 8th, 2011

O Polo de Excelência em Genética Bovina da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) esteve em missão internacional na Austrália e Nova Zelândia com o intuito de reconhecer o ambiente tecnológico e de negócios da cadeia produtiva do leite e da carne.

A comitiva - composta também por integrantes do setor empresarial - visitou instituições de ensino e pesquisa, fazendas, associações de criadores e centrais de inseminação artificial. Segundo a gerente do Polo, Beatriz Cordenonsi Lopes, o grupo retornou com excelentes perspectivas de parcerias para o Estado de Minas Gerais. “Há interesse na condução de pesquisas em conjunto, intercâmbio de pesquisadores e as universidades australianas estão abertas a receber alunos de pós-graduação mineiros”, afirmou.

Nesta semana o comitê gestor do Polo de Genética se reúne em Uberaba, na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), para avaliar quais oportunidades são as mais interessantes para o desenvolvimento do estado. Segundo Beatriz Lopes, o Governo de Minas pode ampliar os laços com a Universidade de Queensland (Austrália), que já é parceira em estudos de recuperação de águas contaminadas em regiões degradadas pela mineração.

Segundo o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Narcio Rodrigues, os intercâmbios internacionais como esse do Polo de Genética Bovina são fundamentais para ampliar a cooperação e os negócios que Minas tem liderança.

Com o apoio do Sebrae-MG, o grupo conheceu as instalações do Livestock Improvement Corporation (LIC), grande centro de pesquisa e desenvolvimento de produtos para o setor de lácteos localizado na Nova Zelândia. Já na Austrália, a comitiva visitou o Beef Breeding Services do Governo de Queensland, voltado especialmente para a inseminação artificial.

De acordo com Beatriz Lopes, apesar do grande volume exportado, os mercados trabalhados pela Austrália são os que melhor remuneram, e a competitividade com o Brasil se dá pela qualidade da carne produzida. A Austrália apresenta 23% do mercado mundial de carne - perdendo somente para o Brasil - sendo 70% da produção exportada para mais de 110 países.

A missão internacional é mais uma ação no sentido de promover o avanço tecnológico nas áreas de agropecuária e biotecnologia animal. Este processo começou no ano de 2008, com a instalação do Polo de Excelência em Genética Bovina, em Uberaba, em parceria com a ABCZ. Com o apoio dos parceiros, são organizados encontros sobre inovação e transferência de tecnologias entre pesquisadores, laboratórios e empresários pecuaristas com interesse em melhoramento genético bovino.

Fonte: SECTES

NOTÍCIAS MISSÃO: Polo de Genética Bovina retorna de Missão para Austrália e Nova Zelândia com Excelentes Perspectivas para Minas Gerais

quinta-feira, dezembro 8th, 2011

Entre os dias 01 e 23 de novembro de 2011, o Polo de Excelência em Genética Bovina esteve na Nova Zelândia e na Austrália em missão internacional com intuito de reconhecer o ambiente tecnológico e de negócios da cadeia produtiva do leite (Nova Zelândia) e da carne (Austrália).

O grupo foi composto pela Dra. Beatriz Cordenonsi Lopes pesquisadora da EPAMIG e gerente do Polo; Dra. Melissa Nunes Miziara (Polo); Dra. Vânia Maldini Penna representante da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); Cláudio Severino Lara representando o setor de biotecnologias de embriões; Tiago Moreira Carrara da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) e Cynthia Rocha representante da Assessoria Estratégica de Parcerias Nacionais e Internacionais da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (SECTES). A missão recebeu o apoio do SEBRAE/MG, parceiro em diversas ações do Polo.

Dra. Beatriz informou que o grupo foi muito bem recebido nos dois países, onde visitaram instituições de ensino/pesquisa, fazendas, associações de criadores e centrais de inseminação artificial. Segundo a gerente do Polo, o grupo retornou com excelentes perspectivas de parcerias para o Estado de Minas Gerais. Há interesse na condução de pesquisas em conjunto com ambos os países e as Universidades Australianas demonstraram grande interesse em receber alunos de pós-graduação mineiros. Os projetos apoiados pelo Polo de Genética também despertaram grande interesse nas instituições visitadas.

De acordo com Beatriz, na Nova Zelândia os solos são extremamente férteis com gramíneas e leguminosas de elevado potencial nutritivo e o clima é ameno, o que favorece os sistemas de produção com animais taurinos, onde predominam as raças Jersey, Holandês e a Kiwicross, cruzamento destas, desenvolvida na Nova Zelândia. A semelhança com o Brasil está apenas na utilização de sistemas de produção de leite a pasto.

Segundo o Livestock Improvement Corporation (LIC), uma das instituições visitadas pelo grupo, a Nova Zelândia apresenta um rebanho de 4,2 milhões de vacas, com uma produção média de 4.000 Kg de leite por lactação e 330 Kg de sólidos, sendo 95% de sua produção exportada, o que faz com que o setor de lácteos represente algo em torno de 25% do PIB do país. As vacas neozelandesas apresentam alta fertilidade, com intervalo entre partos de um ano, idade ao primeiro parto de 24 meses e longevidade média de cinco lactações. Em média 80% das vacas são inseminadas, preferencialmente com sêmen a fresco, sendo rigoroso o descarte de vacas vazias ao final da estação.

Já na Austrália, no Estado de Queensland, em especial na cidade de Rockhampton, Beatriz relatou que o clima assemelha-se muito ao da região norte de Minas Gerais com baixos índices pluviométricos, pastagens de capim buffel (Cenchrus ciliaris) e predomínio do gado zebu, o que possibilita uma aproximação dos sistemas de produção entre Brasil e Austrália.

De acordo com o Cooperative Research Centre for Beef Genetics Technologies (Beef CRC), o agronegócio australiano fatura cerca de 12,1 bilhões de dólares/ano. O país apresenta um rebanho de 27,3 milhões de bovinos, o que representa 2,8% do rebanho mundial e 23% do mercado mundial de carne (perdendo somente para o Brasil), sendo 70% da produção exportada para mais de 110 países. É reconhecido pelas instituições australianas que não há como competir com o Brasil em relação ao volume a ser exportado, já que o rebanho brasileiro é oito vezes maior. No entanto, de acordo com Beatriz, os mercados trabalhados pela Austrália são os que melhor remuneram e que a competitividade australiana se dá pela qualidade da carne produzida (Coréia do Sul, Japão e EUA).

No momento a equipe do Polo trabalha no fechamento do relatório da missão (que será disponibilizado no CIGB) e na preparação da reunião com o Comitê Gestor marcada para o dia oito de dezembro, onde serão apresentadas as expectativas registradas pelo grupo durante a missão.

“Entendemos que com a realização desta missão foram abertas importantes portas internacionais para a cadeia do agronegócio de Minas Gerais”, finalizou Beatriz.

Fonte: Centro de Inteligência em Genética Bovina - Elaborado por Marcela Galvão de Barros França